Eu sempre digo que Damien Rice é um grande poeta. Que ele consegue, com simples palavras duras e reais te dizer qual é a realidade de amores impossíveis, que se desgatam e acabam. É triste como as coisas acabam, como aquela pessoa que você ama, talvez mais que a sua própria vida, simplesmente acha que você já não é mais o bastante, que não vale a pena mais tentar e que vocês devem seguir caminhos separados, pois vai ser melhor para ambos.
E o que será que aconteceu com o happy ending ou happy ever after? Se perderam em tempos onde amor e fidelidade já não são tão importantes.
Eu me importo. Demais. E não acredito que isso seja ruim. Eu digo, sorte de quem estiver comigo e eu só posso esperar que a outra pessoa me conceda a mesma cortesia, não é mesmo? Eu sei que dentro de mim eu ainda acredito que o amor pode acontecer, que ele não é apenas palavras escritas por algum compositor ou que ele poderia acontecer com todos, até mesmo para mim. Eu realmente preciso acreditar nisso.
Eu sempre tive a tendência (absoluta, devo acrescentar) de gostar de pessoas que simplesmente não ligam para mim. E como isso sempre aconteceu, desenolvi o amor por amores impossíveis. Eles machucam, mas possuem uma beleza sutil e te faz sonhar. Mas o que acontece quando você começa a sonhar demais, quando a sua realidade torna-se sutil e tudo o que você consegue ver são tons de cinza e negro? Você acaba se perdendo e acaba deixando o mundo real passar diante dos seus olhos. Você se perde dentro de si mesmo. Entre fantasias de amores e a certeza que você nunca terá seu final feliz. E é nesse momento que você começa a cair.
Por que as pessoas não podem te amar pelo o que você é? Ou porque você gosta de pessoas que não ligam e dispensa pessoas que gostam de você, pois você está cega. Sim, se existe o tal Eros ele é um puta de um sacana, devo deixar registrado.
Qual é a necessidade de machucar os sentimentos alheios?
Um grande amigo meu disse uma vez que sou uma pessoa muito introspectiva, que isso poderia me machucar, e muito, no futuro. Ele sempre tem essa capacidade de ver além das pessoas e ele conseguiu ver através de mim. Sim, doeu, mas quem disse que a verdade é algo bonito como aquele bibelô ao lado da sua televisão? E simplesmente não posso mentir, não posso dizer que ele estava errado. Mas o que eu posso fazer se eu aprendi a me esconder dentro de um mundo monocromático, segura em minhas fantasias? A realidade me assusta e eu simplesmente não consigo crer nela, por mais tolo que isso possa parecer. Afinal de contas, nossas fantasias são muito mais cômodas que a realidade em que vivemos, não é?
E quando eu achava que este tipo de coisa não aocnteceria novamente, eis que estou no mesmo sick cyrcle carrousel, remoendo coisas que não deveriam ser remoidas, decepcionando-me com coisas que estão fora do alcance das minhas mãos, ouvindo Damien Rice e lamentando my lack of love, minha covardia, minha impotência diante da situação. Eu realmente gosto desse cara e eu sou tola o suficiente para acreditar nisso e alimentar esperanças. Os sinais são claros: eu simplesmente não consigo ficar muito tempo sem olhá-lo quando ele estar por perto, quando ele chega minhas mãos tremem o bastante para pararem somente uns dez minutos depois e sim, quando nos beijamos eu não consigo pensar em mais nada. Mas a troco de quê? Eu piso em cima de valores que eu jurava que iriam se tornar minha filosofia. Eu me mantenho presa e isso por minha própria escolha. E o que eu faço sobre isso? Apenas sento-me ao longe, aceito tudo e continuo sofrendo calada. Aquele mesmo amigo me disse que eu deveria conversar com ele, mas como eu poderia pedir por mais se nem eu sie o que quero de verdade? Como eu posso cobrar por algo que está fora das minhas mãos, principalmente quando "when the deal that you make with love is an one way street", como diria o Poets of the Fall?
Não pense que estou sendo dramática, mas essa é a realidade que aprendi a viver: realmente acredito que não vou encontrar ninguém que realmente goste de mim. Por mais que meu outro amigo diga que ele se importa, isso não basta. Estou sozinha nesta.
Mas como eu posso ignorar a vontade, a esperança que está lá dentro de mim? A esperança de que a gente poderia ser alguma coisa, que eu poderia ser feliz com algúém que realmente se importasse comigo e me queresse por perto.
Sei que nada disso tem sentido, mas se nem você entende, como eu poderia?
Prague fala por mim. Damien Rice lê meus pensamentos.
we know that's a lie.
23.4.10
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